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A peça aborda a história do dilúvio, desta vez na versão dos bichos.





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A conquista de David Luiz

Copa das confederações




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Navarros

por Navarros
25/10/2013


Com sua cabeleira sacudindo para todos os lados, quando corre com a bola ou atrás dela, as ações de David Luiz em campo passam uma sensação de alta dramaticidade. Na Copa das Confederações da FIFA Brasil 2013, porém, o que se viu do zagueiro em campo foi muito além de uma mera impressão.

s marcas eram múltiplas e evidentes quando parou para a entrevista nos corredores do Maracanã, após celebrar imponente vitória sobre a Espanha.

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ancando um pouco, o olho esquerdo levemente sublinhado por hematoma, a fratura de ossos e cartilagem nasais e o calção, meias e munhequeiras todas manchadas de verde. Parecia ter saído de um combate campal. Tudo isso não poderia ser mais recompensado não só com o título, mas também pelo reconhecimento de seus compatriotas, tendo seu nome cantado em uníssono pelas arquibancadas na final. “Foi sem dúvida emocionante”, afirma ao FIFA.com. “É isto: vou simplesmente tentar fazer o impossível dentro de campo para deixar essa gente feliz. Todos nós sabíamos da grande oportunidade que tínhamos neste torneio.”


Vola para casa

A falta de notoriedade de David Luiz em seu país não chegava a ser uma injustiça. Tem mais a ver com as circunstâncias do futebol e os muitos caminhos improváveis que os jogadores seguem, até que se chega o grande momento de vestir a camisa de sua seleção nacional jogando em casa.

O versátil defensor, natural de Diadema, chegou a atuar na base do São Paulo, até que se transferiu para o Vitória, de Salvador, onde estreou como profissional em 2006. Naquela temporada, porém, o clube, vice-campeão brasileiro em 1993 e vice da Copa do Brasil em 2010, estava em baixa, disputando a Série C. Calhou, então, que, quando foi negociado com o Benfica em 2007, rumou ao exterior sem ter jogado contra a elite brasileira. “Saí muito cedo, mas nunca deixei de ser um brasileiro patriota, de levar e tentar exaltar o nome do Brasil lá fora”, diz.

David chegou ao time lisboeta aos 19, por empréstimo. Demorou um pouco para engrenar. Até que, em 2010, já era um ícone dos Encarnados, eleito o melhor da liga portuguesa. Depois de mais uma temporada, foi para o Chelsea, pelo qual causou impacto imediato. A essa altura, já era presença regular nas convocações da Seleção. Com o time afastado de competições oficiais, todavia, suas boas-vindas acabaram reservadas, mesmo, para a Copa das Confederações.

Não importa como
Ele estava pronto para conquistar, quem quer que fosse, não importando como. Contra o México, sofreu uma pancada no rosto num choque com o próprio companheiro Thiago Silva, que o tirou de campo por alguns minutos. Deu trabalho para que todo o sangue fosse estancado. Na terceira partida, encarando a Itália, não teve jeito: uma pancada na perna acabou forçando a substituição, dando lugar a Dante. Ele voltou na semifinal contra o Uruguai, na qual ganhou a marca roxa debaixo do olho. Tudo reflexo da dedicação máxima em campo.

Como naquele lance, já eternizado na história do “Festival de Campeões”, em que impediu um gol certo de Pedro num contragolpe espanhol. A bola já havia passado por Julio Cesar, mas o defensor deu um jeito de alcançá-la e ainda fazer um desvio preciso, correndo o risco de atirá-la contra sua rede. Foi o lance que levou seu nome aos gritos dos torcedores e, ao mesmo tempo, lhe serviu para quitar uma dívida – no duelo com os uruguaios, ele viu o goleiro limpar sua barra ao fazer a defesa em cobrança de pênalti de Forlán. Uma penalidade originada por falta que cometeu em Diego Lugano.

“Pude retribuir aquilo que o Julio Cesar tinha feito por mim. Pude ajudar o time com um grande corte, num momento em que, se a gente tomasse o gol, seria muito difícil, pois eles iriam se empolgar no jogo”, diz o zagueiro, daqueles cujo empenho em campo e atributos físicos – alto, veloz e atlético – podem ofuscar seu talento com a bola.

Por exemplo: no primeiro gol brasileiro contra a Espanha, é natural que, durante o replay, você se concentre na capacidade que Fred teve em encontrar um ângulo para finalização estando deitado de bruços no chão. Mas, se puder, volte a fita alguns segundos antes e poderá ver que a jogada começou nos pés de David, que lançou da quarta zaga com o pé esquerdo – que não é o seu forte ­– na direção de Hulk, que então faria o cruzamento para a área. Um passe tão preciso que lhe faz parecer ambidestro.

É o tipo de jogada que, somada à sua destreza e combatividade nos desarmes e também a sua marcante presença nas redes sociais – ele postou, dia a dia, fotos e mensagens sobre sua recuperação da cirurgia nasal – e simpatia com o público, parando para cada autógrafo e foto, compõe um pacote carismático daqueles. Qualidades que serviram para tomar de vez uma torcida que ainda procurava se familiarizar com seu futebol e estilo. No fim, porém, é ele que se diz conquistado. “Poder ter esse privilégio de um estádio inteiro gritar o meu nome, ainda mais sendo a minha gente, foi sem dúvida maravilhoso”, diz. “É inesquecível.”







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